• Paulo Bomfim

O que os líderes que escolhemos dizem sobre nós



Assisti certa vez a um documentário que mostrava um grupo de chipanzés, onde o líder, o alfa, era um chipanzé tranquilo e respeitador com os outros. Ele tinha um irmão muito forte, que era muito bagunceiro e que agredia deliberadamente os outros, sempre sendo repreendido pelo líder. Os demais chipanzés seguiam as ordens do alfa, se comportando bem e sendo respeitosos.


Certa vez o líder ficou doente e teve de se afastar do grupo. Logo, o irmão assumiu a liderança. E como não havia ninguém para repreendê-lo, ele agia como queria. Batia nas fêmeas, maltratava as crianças, destruía a mata em volta e buscava briga com outros grupos. E os outros chipanzés do grupo o seguiam, imitando seu comportamento. O grupo caiu em desgraça durante o reinado do irmão baderneiro.


Em comparação com nossa sociedade, penso que temos que tomar cuidado com os líderes que elegemos e seguimos. Eles são escolhidos pelo nosso desejo de representatividade: queremos alguém que carregue nossas ideias e ideais. Que tenha coragem de dizer o que pensamos e, colocado numa posição alta, aquilo se torne lei.


Quando isso é algo positivo, ético, coerente e que busca paz com outros grupos e harmonia com o meio ambiente, a sociedade tende a prosperar. Quando é negativo, antiético, egoísta, desrespeitoso, briguento e provocador, em desarmonia com o meio ambiente, a sociedade tende a cair.


E quando falo sociedade, pode ser qualquer tamanho de sociedade: a família, o bairro, a cidade, o país... temos que cuidar das nossas escolhas, temos de aprender com os erros do passado, com os erros dos outros! Que ceder lugar de controle às nossas falhas morais, às nossas fraquezas intelectuais, nos leva a uma era de trevas, de brigas injustificáveis, de delitos contra o bom senso e a razão. E principalmente, de perseguição interna, de auto destruição.


E a verdade é que esse mal apenas parece predominar, mesmo para aqueles que estão dominando a situação. Cegos pelo poder, corrompidos pela própria ganância, não percebem o óbvio: o mal não se sustenta. E aqueles que são maus eventualmente acabam por ferir aqueles que amam, ou então começam a perseguir os amados das pessoas que o estão apoiando. E muitas vezes é tarde demais. E é nessa hora que começa a ruína.


Mas não precisa ser assim. Devemos acordar antes. Cada vez mais a frase que deve ser absorvida pela nossa sociedade é: "o certo é certo, mesmo que ninguém esteja fazendo, o errado é errado mesmo que todo mundo esteja fazendo". Não tomar o mal pelo bem, mas assumir as próprias mentiras, assumir as próprias falhas, reconhecer os erros e os enganos. E se permitir mudar, se permitir corrigir, dar chance a um novo olhar e uma nova atitude diante das pessoas, baseado em fatos e em ciência, baseado em moral e bom senso.


Nós precisamos escolher melhor os líderes que seguimos e qual lado da nossa personalidade queremos ver predominando. Aquilo que estamos dando para o mundo, o mundo vai devolver para nós, para nossa família, para aqueles que amamos. O sol incandescente e a chuva negra das queimadas está sobre todos nós. É hora de despertar e cobrar atitudes positivas e ações verdadeiras.


E saber que os líderes que elegemos não estão acima de nós, mas ao contrário, estão lá para servir, a todos. E se não puderem fazer isso, é hora de escolher um novo líder. Mesmo que não seja possível substituir o que está, no nosso coração e mente, precisamos removê-lo e procurar alguém com verdadeira moral.


Esse é meu desejo para todas as pessoas. Que achem espaço em si para que o bem prevaleça.


Abraços,

Paulo Bomfim

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