• Paulo Bomfim

Vencendo o desafio de retomar os negócios


Quinta, dia 08/10/2020, meu convidado do Conversa de Líder foi Guilherme Coser, empresário, CEO da Coser Indústria Metalúrgica de Veranópolis, RS.

Eu tive a honra de acompanhar de perto parte do processo de transformação recente da empresa, que está hoje com 34 anos! No começo de 2019, fui chamado para dar uma palestra para a equipe e fazer um trabalho de mentoria com os líderes. Na época, a empresa ainda era administrada por seu fundador, Delvino Coser, pai do Guilherme.

Eu sempre fico feliz quando fico conhecendo empresas como a Coser. Nascidas e criadas no Brasil, crescendo com seus esforços, prosperando mesmo em meio a tantas dificuldades. E na nossa conversa, o Guilherme me falou um pouco mais sobre esse processo e que, se de fora parece bonito, de perto e por dentro, ele é um tanto doloroso.

"Eu não gosto dessa romantização que fazem, quando falam de uma pessoa que teve que se reinventar durante a crise... que tinha uma carreira e agora está fazendo chocolate em casa. Por trás dessa mudança forçada, existe muita dor, muitas coisas que se abre mão". O Guilherme fala com propriedade. Durante seu tempo de existência, a Coser precisou enfrentar grandes desafios e fazer várias adaptações para continuar mantendo seus negócios.

Eu entendo e concordo com o Guilherme. Essa conversa me lembrou quando eu tive minha segunda crise de hérnia de disco na região lombar. Precisei voltar ao médico e ele me disse que eu precisaria operar. Eu perguntei "quando?" e ele me respondeu "você escolhe: você pode agendar e fazemos com calma e você planeja como vai ser sua recuperação, ou você volta aqui na próxima crise e te operamos de urgência."

Pra ser sincero, nenhuma das duas opções me agradou, por isso fui buscar uma terceira e consegui. Uma amiga fisioterapeuta, conhecia uma técnica chamada Método McKenzie e com uma fisioterapia ativa, consegui evitar a cirurgia, recuperar meus movimentos e não ter mais crises nessa região.


Para a Coser, isso aconteceu quando houve uma chegada enorme de produtos iguais aos que fabricavam vindos da China, com um preço desleal. Se viram diante de três opções: reduzir em muito a qualidade do que faziam, se tornarem importadores de peças ou fecharem as portas. Nenhuma das opções agradava a família Coser, que tinha amor e orgulho pelo trabalho e pela qualidade que sua equipe entregava ao que faziam. E foi assim que encontraram uma outra opção: mudar seu produto para atender um outro nicho, buscando marcas que demandavam maior qualidade. E foi essa virada, mesmo que dolorosa, que fez a Coser voltar a crescer e prosperar.

O Guilherme também me contou sobre momentos em que precisou desligar pessoas para cortar o orçamento. "Por mais que fosse uma situação ruim, era necessário. E mesmo que na hora causasse mau estar, não adiantava ficar olhando pra trás e tomando conta de algo que não faz mais parte. A gente ajuda, mas cada um tem que tocar sua vida". Sábia decisão. Um líder pode desligar alguém numa situação de aperto e até ajudar numa indicação ou com uma recomendação, mas assim como quem desligou o funcionário precisa focar no seu negócio, foi desligado precisa buscar novos rumos para sua vida.


Como aprendizado de tantas mudanças que foram forçadas por fatores externos, o Guilherme carrega consigo uma grande lição. Cuida da sua parte: planeja, antecipa, acompanha, mitiga e contingencia os riscos que podem surgir. Adianta o que pode, atua no tempo certo com base nas informações que tem. E quando algo muda de repente ou aparece lá no horizonte como algo que não vai fazer sentido, replaneja e acerta a rota.

É uma grande lição. Há muitas coisas inevitáveis na vida, mas aquelas que estão ao nosso alcance, que possam ser resolvidas com antecedência e planejamento, que sejam. E se as opções que temos diante de nós não são aceitáveis, que se busque outra que melhor se encaixe com o que queremos e podemos realizar.

Quer ver como foi a conversa na íntegra? Acesse agora!


E o que você tirou pra você dessa conversa? Conta aqui nos comentários! Vou adorar saber!

Um grande abraço!

Paulo Bomfim

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