• Paulo Bomfim

É melhor ser Lebre ou Tartaruga? O melhor é você ser quem você é!


Uma das mais famosas Fábulas de Esopo, a Lebre e a Tartaruga fala sobre uma corrida entre esses dois personagens. A lebre, muito rápida, sai na frente deixando a tartaruga bem pra trás. A tartaruga, toda lenta, persiste e avança lenta e incessantemente. Vendo que estava muito à frente, a lebre decide parar para descansar e adormece tão profundamente, que só percebe que a tartaruga já a havia ultrapassado quando não dava mais tempo de vencer.


A moral da história é que devemos ser mais como a tartaruga, que é disciplinada e constante, e menos como a lebre, que é rápida mas para.


Aí entra o grande dilema ao levar isso para a vida prática. Alguns de nós são tartaruga, outros, lebre! Da mesma forma, em nossas equipes, entre as pessoas que convivemos, há também essa diferença. Eu diria mais: há um zoológico inteiro! Bichos preguiça, peixes, macacos, leões, hienas, corujas, cães, gatos e muito mais! Isso pra dizer que somos diversos e é cruel querer que as pessoas sejam boas naquilo que não é de sua natureza!


Eu particularmente sou uma lebre. Tenho explosão, sou bom de iniciar projetos, dar largadas, dar sprints. Sou péssimo em fazer a mesma coisa todo dia, do mesmo jeito sempre. Eu, Paulo, preciso de desafios! E por muito tempo sofri demais porque ouvia as pessoas dizendo: você tem que ser tartaruga, você tem que ser tartaruga! Mas eu não sou, cacete! Sou lebre! E não consigo mudar isso que eu sou. O que fazer então? Desistir? Não trabalhar mais? Não participar de mais nada? Abandonar meus sonhos, minha carreira, minha empresa?


Não! Definitivamente não! Eu aprendi que eu posso ser o que eu quiser sendo quem eu sou. Isso mesmo! Aprendi que não posso querer fazer as coisas como os outros fazem, mas posso aprender como eu faço do meu jeito o que precisa ser feito.


Ter aprendido isso me ajudou demais a melhorar minha produtividade e minha "entregabilidade"! Passei a ser mais efetivo, mais assertivo e até mais constante. Me ajudou a atacar meus problemas de uma forma que eu consiga resolvê-los e realizar tarefas cotidianas, que antes eu tanto sofria, de uma forma mais natural pra mim.


E de entender isso, por me respeitar, hoje ajudo meus líderes, que estão nas minhas sessões de coaching individuais e em grupo, ou então nas minhas mentorias e masterminds, a se respeitarem também e a enxergar suas equipes de outra forma.


Enxergar que não se pode avaliar duas pessoas diferentes da mesma forma, nem querer que elas façam as coisas exatamente do mesmo jeito. Mas antes, e muito mais importante, é observar o resultado, o que estão entregando. E não importa se o líder é lebre ou tartaruga: para ter sucesso, o líder tem que respeitar a natureza de cada um da sua equipe e dividir as tarefas de acordo com as aptidões.


Eu trabalhei com um outro Paulo que era uma verdadeira tartaruga. Falava devagar, era bem sossegado. Pegava um projeto, ia fazendo ali, devagarinho, um pouquinho de cada vez e quando se via, no prazo certo, estava entregue. O Paulo era o cara ideal para pegar coisas que tinham começo, meio e fim e precisavam dessa disciplina, repetição, constância. Não dava pra colocar ele num projeto atrasado, muito complexo, que precisasse de agilidade na entrega ou um ritmo acelerado.


Os líderes que melhor aproveitaram minhas qualidades foram aqueles que entenderam como eu funcionava e me traziam os desafios que ninguém conseguia resolver. Se precisasse aprender algo novo rapidamente, bolar uma solução alternativa, cobrir as férias de alguém que trabalhava com algo que ninguém mais sabia, eu era o cara. Criava soluções para encurtar caminhos ou automatizar processos repetitivos. Mas se me pedisse pra ficar fazendo aquilo todo dia, eu já era.


Seja ou outro Paulo ou este, eu sei que você e sua equipe precisam de cuidado na hora de se entender e na hora de distribuir as atividades e responsabilidades. Entenda-se, entenda as pessoas que estão contigo. Saiba como elas funcionam, como elas trabalham melhor.


Você não precisa de um time só de tartarugas nem só de lebres. Você precisa de um zoológico! De diversidade de entendimento e qualidades. E acima de tudo, precisa ser a pessoa que vai saber como fazer tudo isso se encaixar nos desafios diários para obter os melhores resultados para seus projetos e para os seus negócios.


A sua felicidade e das pessoas que estão contigo depende disso. Seja quem você é sempre, e permita que as pessoas que estão contigo sejam também.


Abraços,

Paulo Bomfim

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