Como liderar pessoas difíceis


Já dizia Vicente Matheus: "o difícil, como vocês sabem, não é fácil". Não, líderes, realmente não é e você já sente isso na pele, no seu dia a dia, com as pessoas que convive e tem que não só trabalhar, mas se encarregar de que elas trabalhem da melhor forma para entregar os resultados que você, seus superiores e seus clientes, esperam.


E nas equipes sempre tem um, ou alguns, que nos causam muitas dificuldades, nos tiram do sério, cansam a nossa beleza e deixam a gente P da vida mesmo. Outro dia, durante uma das minhas mentorias online, uma aluna, gestora de equipes, afirmava que queria "matar" suas colaboradoras. E isso me preocupa demais de ouvir de alguém que depende de pessoas para realizar o trabalho e que tem como função cuidar dessas pessoas.


Não estou dizendo que não entendo a irritação, o cansaço, o estresse e o nervosismo. Entendo bem demais. Passei por isso muitas vezes e eventualmente, essa sombra paira por aqui. Porém, gosto de lembrar de uma frase que mudou minha forma de ver isso: "nós não temos como evitar que os pássaros voem sobre nossas cabeças, mas temos como impedi-los de fazer ninhos nelas".

Nessa pegada, eu quero te convidar a fazer um esforço mental, a mudar sua forma de ver e de agir diante de algumas situações. Sim, eu sei: o que você queria é que eu dissesse que os outros tem de mudar, que sua equipe precisa agir e pensar diferente... mas a verdade é que eles não estão lendo esse artigo: você está! E se está aqui, é você quem está incomodado com a situação, e segundo o velho ditado já dizia, "os incomodados que se mudem". Eis sua chance de mudar a si, para mudar tudo em volta. Topa? Então bora lá!

Eu não vou te passar uma lista de cinquenta coisas pra você fazer pra resolver todos os seus problemas com as pessoas que estão dificultando a sua vida. Não, nada disso. Eu vou dar três sugestões de mudança, fáceis de implementar, que vão trazer um alívio imediato para o que você está enfrentando.


A primeira delas é começar reconhecendo que a dificuldade que você tem com uma pessoa, é a mesma dificuldade que ela tem com você. Isso mesmo, você é uma pessoa difícil para a outra. Se não fosse assim, vocês já teriam se entendido e estaria tudo bem, certo? Como não está, a dificuldade está nas duas pontas. E como você é a parte interessada em resolver isso, procure começar uma conversa onde haja a possibilidade de você saber qual a dificuldade do outro contigo. Esteja aberto, ouça sem julgar e se dê tempo para entender o que foi dito. E os pontos que não ficarem claros, peça detalhes ou exemplos específicos, que a pessoa pode ou não saber te responder na hora. Nesse caso, peça para que, caso volte a ocorrer no futuro, que ela te avise em particular para você compreender. Dar o primeiro passo com humildade é um ótimo sinal de que se deseja realmente resolver a situação.


O segundo ponto é buscar compreender o que a pessoa deseja. Não estou aqui dizendo que você tem que fazer o que ela quer, mas é importante ouvir e compreender. E isso envolve muitas vezes saber o porque da pessoa querer aquilo. Quando você tem essa informação, passa a saber o que motiva a pessoa, o que a move e quais são as expectativas dela com relação ao trabalho. Isso te dá ideia de como pode ajudá-la a alcançar isso, seja num curto, médio ou longo prazo, dentro ou fora da empresa. Sim, porque às vezes, você e a pessoa precisam ver que o lugar dela não é ali e cuidar de uma realocação com calma e com o mínimo de traumas.


E a terceira dica é reconhecer para a pessoa que tem dificuldades em lidar com certas atitudes dela. Para fazer isso, você precisa ter claro quais são as ações específicas, o que exatamente te incomoda e o motivo. Separar o que tem a ver com o comportamento profissional ou pessoal, para que coloque cada coisa em seu lugar. Dizer como se sente, em qual situação e qual o impacto disso, seja com você, com a equipe, com os clientes ou com a empresa. E procurar fazer a pessoa entender, explicando nas suas palavras e às vezes nas dela, para demonstrar com clareza e buscar um sinal de compreensão e de disposição para uma mudança de atitude. O sucesso dessa etapa depende da pessoa demonstrar que te compreendeu e que está disposta a fazer uma mudança que verdadeiramente melhore a situação.


São três pequenos passos que você pode dar que não vão te onerar além do que você já faz no dia a dia. Três passos que exigem coragem e humildade, características fundamentais que qualquer líder, que quer ser bem sucedido em qualquer negócio, precisa ter. Porque de imediato, você pode até mudar as pessoas, mandá-las embora. Mas se você não mudar sua forma de liderar, vai ver o turn over subir absurdamente enquanto sua competitividade despenca. É muito mais lucrativo manter as pessoas, da mesma forma que gera equipes mais produtivas e comprometidas, uma vez que confiam na liderança e percebem que seja quais forem as diferenças que tiverem, podem conversar, se entender e trabalhá-las.

Espero que vocês possam se respeitar e se entender cada dia mais. E espero de verdade, que possam até mesmo se gostar. Trabalhar com quem a gente gosta e admira é sempre melhor.

Um grade abraço,

Paulo Bomfim

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